A ocupação do território brasileiro se iniciou com
a fundação de pequenos povoados espalhados em diversas localidades. No
princípio da colonização, após o extrativismo, o governo português encontrou na
cana de açúcar a base de seus empreendimentos no país, com destaque para os
estados de São Paulo, Bahia e Pernambuco, que mantinham relação com o exterior
e quase nenhuma entre si, afirma Danton Leonel de Camargo Bini, pesquisador do
Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento
de São Paulo, em seu artigo: Formação Socioespacial e Modernização da
Agropecuária Brasileira no século XX. Durante os primeiros quatro
séculos, as províncias, posteriormente transformadas em estados, foram
estimuladas a crescer separadamente. Dessa forma, a atividade da cana de
açúcar, nas regiões citadas; aurífera em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso;
cacaueira na Bahia; de extração de borracha, na Amazônia e cafeeira em São
Paulo, “mesmo tendo criado em suas regiões famílias e gerações de cidades,
não construíram entre elas nenhum tipo de ligação”, afirma o
autor. No século XX, observa-se um começo de integração nacional. O
cultivo de café sofre um forte abalo com a crise de 1929, mesmo assim São Paulo
mantém a liderança desse processo, informa Bini. A partir daí, o autor vai
discutir a inversão do modelo de acumulação no Brasil para uma estrutura
produtiva sedimentada na indústria. No período pós Segunda Guerra Mundial,
apresenta, além da ampliação da fluidez territorial possibilitada por investimentos
no modal rodoviário, a internalização da indústria agropecuária nacional que,
aliada à introdução de grandes plantas processadoras de alimentos nas
principais culturas, efetiva a constituição dos complexos agroindustriais. Com
a crise dos anos 1980, finaliza-se retratando as mudanças na estrutura
produtiva ocorrida na década seguinte. - Ascom
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