O
presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, participou, nesta semana, de
debate sobre os desafios dos países democráticos durante o 4º Seminário
Luso-Brasileiro de Direito, realizado na Universidade de Lisboa, em Portugal.
Ao falar sobre a grave crise econômica e social brasileira, Aécio afirmou que
as pedaladas fiscais, que segundo o Tribunal de Contas da União (TCU) foram usadas
pela presidente Dilma para esconder o rombo nas contas do governo em 2014, ano
eleitoral, tiveram um efeito devastador sobre o orçamento dos programas
sociais. “No momento em que se introduz aquilo que se estabeleceu chamar de
pedaladas, que nada mais é do que a transferência para os bancos públicos do
pagamento de responsabilidade do Tesouro e, além disso, a autorização ou a
edição de créditos orçamentários sem autorização do Congresso Nacional, o que,
segundo a nossa Constituição, pressupõe crime de responsabilidade, o efeito
disso foi devastador, inclusive nos programas sociais”, afirmou Aécio Neves. O
senador citou números que comprovam que o governo inflou o orçamento de
programas sociais no ano da reeleição de Dilma, mesmo sabendo que não teria condições
de honrar os gastos prometidos. "Poderia citar cinco ou seis programas
importantes do governo que tiveram cortes, como o Pronatec. No ano eleitoral,
investimento foi de R$ 7 bilhões. No ano seguinte, de R$ 2 bilhões. Minha Casa,
Minha Vida de R$ 16 bilhões no ano da eleição. No ano seguinte, R$ 6 bilhões.
Cortes profundos, quando ela deveria estar sustentando esses programas”,
afirmou o senador. Na palestra, o presidente do PSDB destacou a fragilidade de
alguns indicadores sociais referentes aos governos Lula e Dilma. “Temo muito as
comparações com o passado, sobretudo com o passado remoto de 20 anos atrás. O
Brasil deveria estar buscando indicadores que nos conectassem com o
futuro. Se os avanços elencados pelo governo fossem reais, hoje a sociedade
brasileira não estaria vivendo a mais profunda crise social da nossa democracia
contemporânea”, criticou Aécio Neves. Comércio exterior - O seminário em
Lisboa foi organizado pelo Instituto Brasiliense de Direito Público e reuniu
palestrantes de diferentes países e partidos, entre eles o senador tucano José
Serra. Aécio Neves também fez uma avaliação da política externa praticada pelo
Brasil nos governos Lula e Dilma e ressaltou que o alinhamento ideológico do PT
com governos populistas na América Latina emperrou a realização de importantes
acordos comerciais com a União Europeia. “Nos últimos quatro anos, o comércio
bilateral Brasil-Portugal foi restrito em 40%. Perdemos 40% de valor, porque
ficamos amarrados, inclusive na negociação do Mercosul com a União Europeia,
porque as decisões do Brasil eram subordinadas, submetidas, a interesses, por
exemplo, da Venezuela e da Argentina, e não só eles”, criticou. O senador
defendeu que o Brasil precisa de uma política externa moderna, pragmática, que
possa gerar novos acordos comerciais e empregos para os brasileiros. “Arrancar
essas amarras, reintegrar o Brasil na comunidade internacional, as nossas
empresas nas cadeias globais de produção, efetivamente transformar o governo em
instrumento de bem-estar social, e não de bem-estar de um grupo seleto de
parceiros. Foi a proposta do PSDB nas últimas eleições e é o que temos a
apresentar agora”, ressaltou. Brasil vive plena democracia - O senador Aécio
Neves também ressaltou para a comunidade internacional, durante sua
apresentação em Lisboa, que o Brasil vive o pleno exercício da democracia e que
não há um golpe sendo tramado contra a presidente Dilma. Ele destacou que
os crimes de responsabilidade ocorridos no governo Dilma constam de forma clara
no processo de impeachment em tramitação na Câmara dos Deputados. “Não existe
no Brasil, nada, absolutamente nada, que se assemelhe a um golpe de Estado.
Existe um rito constitucional aprovado pelo STF e constituído pela Câmara dos
Deputados, inclusive, com a participação do próprio partido da presidente da
República que indicou seus nomes para participar da comissão processante do
impeachment, e que, se aprovado por dois terços depois haverá de ser submetido
ao Senado Federal. O que é fato hoje é que o governo atual abre mão de fazer a
sua defesa técnica em relação às acusações constantes da peça apresentada para
buscar o embate político. Isso não é bom para o Brasil, não é bom para as
futuras gerações”, afirmou - Secom.
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