sexta-feira, 27 de abril de 2012

CAÇA-NÍQUEIS: VÍDEO CONFIRMA ESQUEMA DE PAGAMENTO DE PROPINA EM JUIZ DE FORA


O deputado Sargento Rodrigues encaminhou para a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa denúncias recebidas sobre a atuação de uma “máfia dos caça-níqueis” em Juiz de Fora. No último dia 28 de março, em uma reunião reservada, um oficial da Polícia Militar foi ouvido pelos deputados e pelo Procurador de Justiça André Estevão Ubaldino. Ele relatou o envolvimento de policiais civis e militares com caça-níqueis, incluindo recebimento semanal de propina para não fiscalizar e/ou liberar máquinas apreendidas na cidade. Um dos casos ocorreu durante operação comandada por esse oficial, quando o contraventor Frederico Márcio Arbex, de Juiz de Fora, teve a ousadia de abordá-lo pedindo que cessasse a ação, chegando a citar o nome de um Coronel da PM, hoje reformado, como seu amigo íntimo e sócio. Frederico - que já foi preso outras duas vezes pela Polícia Federal -, ainda disse estar cansado de bancar, em uma boate, da qual é proprietário, festas para policiais regadas a mulheres e bebidas. Na última segunda-feira (23/04), em outra reunião reservada, as declarações do oficial foram confirmadas por mais quatro policiais militares e por um policial civil, que entregou à Comissão um vídeo no qual o ex-sócio de Frederico Márcio Arbex, Dimas Alves Rodrigues Vieira, faz um relato confirmando as informações. Ele afirma que, durante uma operação de apreensão de caça-niquéis, o próprio Frederico Arbex teria abordado o referido oficial, afirmando que só ele não contribuía e não estava ajudando. No vídeo, Dimas Alves, utiliza as seguintes palavras: “Ah, amanhã, mais cedo ou mais tarde, ele cai na minha mão, porque não tem jeito. O resto todo come, e ele vai comer também”. (Clique aqui e assista ao vídeo). Três dos policiais militares citados já foram ouvidos em um Inquérito Policial Militar – IPM, aberto pela corporação em junho de 2011, já que há envolvimento de outros servidores. Apesar da gravidade das denúncias, nada foi apurado até a presente data. A Corregedoria da Polícia Civil também está acompanhando o caso. O deputado Sargento Rodrigues, assim que recebeu as primeiras denúncias, entendeu que a situação era gravíssima e que seria necessário um acompanhamento mais rigoroso dos fatos. Assim, protocolou na Assembleia Legislativa requerimento para instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Assinada por outros 39 parlamentares, a proposta da CPI tem como objeto a apuração de ações da chamada “máfia dos caça-níqueis”. De acordo com o Regimento Interno desta Casa, são necessárias, no mínimo, 26 assinaturas para instalação da Comissão. Fato é que há cerca de dez anos não é instalada sequer uma CPI na Assembleia de Minas. “Os deputados assinam o requerimento e, depois deste protocolado, pressionados pelo Governo, começam a aparecer os pedidos de retiradas de assinaturas até que não se tenha mais o mínimo necessário. Desta vez não foi diferente”, esclarece Sargento Rodrigues. Ele ressalta que, mesmo que a CPI não seja instalada, continuará acompanhando os fatos. “A Comissão de Direitos Humanos, com a participação do Ministério Público, continua e continuará recebendo as denúncias, ouvindo os depoimentos e garantindo segurança a todos que quiserem colaborar”.

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